sexta-feira, 9 de setembro de 2016
"You carry away
with you a part of me reflected in you. When your beauty struck me, it
dissolved me. Deep down, I am not different from you. I dreamed you, I wished
for your existence. I see in you that part of me which is you. I surrender my
sincerity because if I love you it means we share the same fantasies, we share
the same madness." (Anaïs Nin)
sexta-feira, 15 de abril de 2016
"Em meus relacionamentos com as pessoas, descobri que não me ajuda, no longo prazo, agir como se fosse alguém que não sou (...) Não me ajuda agir de uma forma calma e agradável quando estou, na verdade, zangado e taxativo. Não me ajuda agir como se fosse tolerante quando de fato sinto que deveria estabelecer limites (...) Não me ajuda agir como se aceitasse os comportamentos de uma outra pessoa quando por dentro eu sinto repulsa." Rogers, 1995.
domingo, 31 de janeiro de 2016
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Cordilheira dos Atlas, Marrocos.
Acho que o maior, ou um dos maiores aprendizados de quem mora fora é o desapego das relações, seja ela amorosa, entre amigos, etc. Eu já fui carente demais, apegada demais, ciumenta demais, dramática demais. Eu já tive ciúmes de namorado, de mãe, de prima, e amigos, principalmente de amigos. Eu já chorei por me sentir excluída, esquecida, abandonada. Em quase cem por cento dos meus dias eu estava tentando burlar o sentimento de abandono, negociando comigo mesma e tentando me convencer de que era coisa da minha cabeça, que as pessoas andavam ocupadas demais, que não era descaso. Talvez não fosse, talvez fosse, eu nunca iria saber. Eu só precisava de 1 motivo, uma razão qualquer para acalmar minha alma e me certificar de que sim, eu era amada. É isso que todo mundo busca afinal, não é? Se sentir amado e se amar? De qualquer maneira o bom da vida é que coisas acontecem e a gente pode mudar! Morar em outro país, mesmo que por pouco tempo, te faz mais forte, mais segura, e você abstrai, você entende que o jogo da vida é assim mesmo, algumas peças saem da jogada, outras ficam, outras entram, nenhuma rodada é igual a outra. Não morro de saudades por quem deixei lá fora assim como não morri de saudades de quem estava aqui. Fico bem viva pra aproveitar o momento e aceitá-lo com tranquilidade. Não lamento. E principalmente, deixei de lamentar as perdas para apreciar os ganhos.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Nunca fui de ter laços fortes com os outros. Nunca consegui.
A minha melhor amiga do intercâmbio é italiana e em menos de 1 mês não nos veremos mais.
O que ela diz a respeito: "Quando vc for embora eu fico amiga de outra intercambista."
Eu acho engraçado. Ela é fria igual uma pedra (ela mesma que diz) e a gente se dá super bem (talvez por isso).
Eu passo pelas pessoas, elas passam por mim, restam boas recordações. E fim, sou assim.
Tem dias que isso dói, tem dias que prefiro assim, tem dias que me arrependo de ter me esforçado em vão para fortalecer um laço, tem dias que me arrependo de não ter me esforçado um pouco mais.
Coisa estranha essa de ser gente entre tanta gente, dá trabalho pra daná!
Nenhum homem é uma ilha, dizia o poeta. Será?
Cesena (Italia), 25/06/15.
A minha melhor amiga do intercâmbio é italiana e em menos de 1 mês não nos veremos mais.
O que ela diz a respeito: "Quando vc for embora eu fico amiga de outra intercambista."
Eu acho engraçado. Ela é fria igual uma pedra (ela mesma que diz) e a gente se dá super bem (talvez por isso).
Eu passo pelas pessoas, elas passam por mim, restam boas recordações. E fim, sou assim.
Tem dias que isso dói, tem dias que prefiro assim, tem dias que me arrependo de ter me esforçado em vão para fortalecer um laço, tem dias que me arrependo de não ter me esforçado um pouco mais.
Coisa estranha essa de ser gente entre tanta gente, dá trabalho pra daná!
Nenhum homem é uma ilha, dizia o poeta. Será?
Cesena (Italia), 25/06/15.
Eu admito, sinto uma euforia. Muita novidade pra pouco tempo de assimilar.
Muitos sentimentos tentando achar os seus exatos lugares no tempo/espaço para se fixarem. Muito a ser pensado, muito a ser conversado, muito a ser pacientemente compreendido, muito ainda a ser descoberto. Tem sentimento que eu sinto por antecipação, que nem tem causa ainda, que eu nem sei o que fazer com ele. Tem sentimento, de sobra.
Eu sei, o que eu digo nem sempre faz sentido. Pouca coisa o faz, na verdade.
Devo lembrar de deixar de me angustiar diante do sem sentido. Como me foi dito em sonho, acredite, eu sonhei com isso: "se tentamos recobrir de sentido aquilo que fundamentalmente não o tem, corremos o risco de dividir e desajustar o sujeito".
Oi, eu sou um sujeito desajustado e eu vou sempre correr atrás do sentido das coisas como se houvesse uma caixa com todos eles guardados ou como se eles estivessem nessas gavetas de metal das repartições públicas. O sentido é publico? É privado? Acho que é privado, mas eu procuro como se fosse público, como se todo mundo do mundo soubesse de tudo, conhecesse todos os sentidos, menos eu.
Ao menos é divertido.
12/12/14
Muitos sentimentos tentando achar os seus exatos lugares no tempo/espaço para se fixarem. Muito a ser pensado, muito a ser conversado, muito a ser pacientemente compreendido, muito ainda a ser descoberto. Tem sentimento que eu sinto por antecipação, que nem tem causa ainda, que eu nem sei o que fazer com ele. Tem sentimento, de sobra.
Eu sei, o que eu digo nem sempre faz sentido. Pouca coisa o faz, na verdade.
Devo lembrar de deixar de me angustiar diante do sem sentido. Como me foi dito em sonho, acredite, eu sonhei com isso: "se tentamos recobrir de sentido aquilo que fundamentalmente não o tem, corremos o risco de dividir e desajustar o sujeito".
Oi, eu sou um sujeito desajustado e eu vou sempre correr atrás do sentido das coisas como se houvesse uma caixa com todos eles guardados ou como se eles estivessem nessas gavetas de metal das repartições públicas. O sentido é publico? É privado? Acho que é privado, mas eu procuro como se fosse público, como se todo mundo do mundo soubesse de tudo, conhecesse todos os sentidos, menos eu.
Ao menos é divertido.
12/12/14
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Talvez eu seja mesmo louca
de estar acordada a essa hora
e ainda me esforçar pra achar normal
eu canso de esperar
eu nem deveria
mas eu espero me cansar
pra ir dormir emburrada
pouco importa
desde que amanhã seja outra dia
mesmo que igual
eu vou odiar de qualquer jeito
eu somo os dias pra vida parecer mais densa e mais interessante
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Existem duas forças opostas brigando dentro de mim, seja lá q nome tenham, id e superego, whatever... a questão é que eu quebro todas as as promessas que faço a mim mesma, afinal, as regras que imperam são: "Não aja sem pensar" e "Faça só (e tudo) o que tem vontade de fazer"... a primeira sempre perde.
quarta-feira, 12 de março de 2014
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Sylvia Plath
Talvez eu nunca tivesse antes sabido acolher bem as críticas à minha escrita, ou melhor, à visceralidade e virilidade emocional da mesma. O Eu, escancarado, inibe as pessoas que, reativas e sem considerarem as ambiguidades e tropeços da língua/poesia, interpretam deliberadamente a escrita e disparam julgamentos como exímios críticos literários formados pelos valores do senso comum.
Percorrendo o livro da Ana Cecília Carvalho e a análise que ela faz sobre "A Poética do Suicídio em Sylvia Plath" (título do livro), encontro a seguinte passagem, que traduz melhor meu pensamento:
" Um dos esforços interpretativos exigidos pelo poema mostra a tentação que ele provoca no leitor, que é levado a atribuir ao texto uma realidade biográfica pré-existente, de que o texto seria a cópia fiel. O outro lado permite pensar que, se tudo o que se tem são segmentos de escrita, do que, afinal, se fala ali? Sem cairmos na sedução do imaginário, será possível distinguir o que se anuncia na enunciação? E que função teria?
Agindo potencialmente para seduzir o leitor, em 'Lady Lazarus' as imagens especulares e teatrais, facilitadoras do processo de identificação, conjugam-se à situação criada pelo texto, em que um eu se exibe como se estivesse em um palco. O aspecto sedutor dessa exibição reside no fato de que o eu se apresenta com uma grandiosidade que o torna capaz de enfrentar a morte e ainda permanecer vivo. Tal encenação efetuada na escrita irradia-se a partir de um centro narcísico e ressoa, em maior ou menor grau, na aspiração à imortalidade presente no coração do leitor.
Na morte buscada como 'uma arte', enfim cintila - paradoxalmente- a imortalidade."
Para terminar, segue o maravilhoso poema Lady Lazarus, Sylvia Plath:
LADY LAZARUS
Tentei outra vez.
Um ano em cada dez
Eu dou um jeito —
Um tipo de milagre ambulante, minha pele
Brilha feito abajur nazista,
Meu pé direito
Peso de papel,
Meu rosto inexpressivo, fino
Linho judeu.
Dispa o pano
Oh, meu inimigo.
Eu te aterrorizo? —
O nariz, as covas dos olhos, a dentadura toda?
O hálito amargo
Desaparece num dia.
Em muito breve a carne
Que a caverna carcomeu vai estar
Em casa, em mim.
E eu uma mulher sempre sorrindo.
Tenho apenas trinta anos.
E como o gato, nove vidas para morrer.
Esta é a Número Três.
Que besteira
Aniquilar-se a cada década.
Um milhão de filamentos.
A multidão, comendo amendoim,
Se aglomera para ver
Desenfaixarem minhas mãos e pés —
O grande striptease.
Senhoras e senhores,
Eis minhas mãos
Meus joelhos.
Posso ser só pele e osso,
No entanto sou a mesma, idêntica mulher.
Tinha dez anos na primeira vez.
Foi acidente.
Na segunda quis
Ir até o fim e nunca mais voltar.
Oscilei, fechada
Como uma concha do mar.
Tiveram que chamar e chamar
E tirar os vermes de mim como pérolas grudentas.
Morrer
É uma arte, como tudo o mais.
Nisso sou excepcional.
Desse jeito faço parecer infernal.
Desse jeito faço parecer real.
Vão dizer que tenho vocação.
E muito fácil fazer isso numa cela.
É muito fácil fazer isso e ficar nela.
É o teatral
Regresso em plena luz do sol
Ao mesmo local, ao mesmo rosto, ao mesmo grito
Aflito e brutal:
"Milagre!"
Que me deixa mal.
Há um preço
Para olhar minhas cicatrizes, há um preço
Para ouvir meu coração —
Ele bate, afinal.
E há um preço, um preço muito alto
Para cada palavra ou cada toque
Ou mancha de sangue
Ou um pedaço de meu cabelo ou de minhas roupas.
E aí, Herr Doktor.
E aí, Herr Inimigo.
Sou sua obra-prima,
Sou seu tesouro,
O bebê de ouro puro
Que se funde num grito.
Me viro e carbonizo.
Não pense que subestimo sua grande preocupação.
Cinza, cinza —
Você fuça e atiça.
Carne, osso, não há mais nada ali —
Barra de sabão,
Anel de casamento,
Obturação de ouro.
Herr Deus, Herr Lúcifer
Cuidado.
Cuidado.
Saída das cinzas
Me levanto com meu cabelo ruivo
E devoro homens como ar.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Acho muito interessante esse tema vir à discussão, afinal, já é tempo de abolir certos preconceitos e falar de coisas que antes circulavam apenas entre os buchichos maldosos das vizinhas: "olha lá a dona flor e seus dois maridos!"
Vamos, de antemão, combinar uma coisa: Cada um vive da forma como acha melhor, certo? Cada um é livre para buscar o prazer do jeito que mais lhe agrada, certo? Ok, agora podemos avançar na discussão, meio unilateral, claro, visto que blog não é la uma página muito lida e comentada. Mas não importa, como de costume, expresso aqui o que penso a respeito daquilo que me salta aos olhos.
Aqui vai uma confissão: desde o meu primeiro namorado, se é que eu poderia chamar assim, eu era adepta do tal "relacionamento aberto". Eu achava um pecado obrigar alguém a se comprometer, e que, além disso, seria muito mais interessante estar com uma pessoa que vem até você porque te quer, te deseja, e não por estar presa num contrato afetivo chamado "namoro". Poético, quase.
E então os anos se seguiram, minha mãe rezando para eu "desencalhar", a família já desconfiando de algo "fora dos eixos"... e lá ia eu, feliz, vivendo "ao máximo" a minha sexualidade, no estilo "OLX Desapega".
Até que um dia apareceu um príncipe encantado num cavalo branco... MENTIRA! Já se sabe há tempos que os príncipes não vêm em cavalos brancos, eles andam de 2004 que nem a gente!
Até que um dia eu entendi que esse meu comportamento, essa minha posição subjetiva frente ao contato com um parceiro sexual e à possibilidade de um relacionamento, era mais uma barreira à entrada do amor.
Amor, quem dirá que sabe realmente o que é isso?
Eu apenas compreendo que algo ruiu na maneira como eu entendia e até subjugava o amor. Apenas compreendo que, para mim, o relacionamento aberto só durou tanto tempo e funcionou até bem durante esses anos todos porque eu me envolvia de forma superficial. Mesmo que eu me jogasse de cabeça no que eu estava vivendo (e fiz isso inúmeras vezes), ainda assim eu não acreditava que o amor pudesse existir de verdade, eu não acreditava que eu pudesse ter alguém ao meu lado, um companheiro. Eu me sentia sozinha, mesmo quando me envolvia com alguém (s), e seguia sozinha, esperando, talvez, alguém ou algum sentimento que eu ainda desconhecia.
Numa relação aberta eu tinha uma certeza: mais cedo ou mais tarde aquilo iria acabar. Havia um prazo de validade, geralmente curto. Dessa certeza surgia uma dúvida angustiante: o que era preciso fazer, então, para não se tornar desinteressante para o outro? Era preciso dar o meu melhor no começo, até que o melhor já não fosse mais interessante e então a relação era descartada.
Sim, estamos na era dos amores líquidos, expressão incessantemente repetida na faculdade. É como o entrevistado falou, amores voláteis. Argumentos assim me faziam desacreditar nos relacionamentos, monogamia e todas essas coisas que, como dizia um antigo professor, foram impostas pela cultura judaico-cristã ocidental. Mas é que de repente eu me peguei desajeitada, desejando tanto uma única pessoa, que todas as outras se apagaram. E assim, não faz mais sentido a possibilidade de que essa pessoa a quem amo queira estar com mais alguém além de mim. Agora entendo o ciúme, a insegurança, coisas que julgava derivarem de "mentes ainda um tanto fechadas". Caí no comum, mas o comum me faz bem, me faz feliz!
Acho mesmo importante que os amores tenham lá sua liquidez, afinal, já dizia o bom Marx, "tudo o que é sólido desmancha no ar". O amor não pode ser rígido, ele precisa ser maleável, ele se transforma ao longo de uma relação. Ele não é descartável, ele é reciclável, entende?
Já não preciso dar tudo de mim no começo porque há tempo, porque eu tenho alguém a longo prazo, porque o amor e a relação são construídos com o tempo e porque tudo tende a ficar melhor à medida que o casal vai se conhecendo. Saber disso foi como receber um abraço, me acalentou. Há tempo, suficiente, pra construir e viver um amor.
domingo, 4 de agosto de 2013
Eu gosto da simplicidade pela qual as crianças lidam com as coisas, gosto de como elas são práticas. Exemplifico com a cena em que meu irmão, de 10 anos, conhece meu namorado:
Ele chama Lucas, mas não é qualquer Lucas, pois o Lucas namorado da "minha irmã" é estudante de cinema. Ele tem uma produtora também, é roteirista e diretor. É fotógrafo. Além disso ele tem uma banda de punk rock, é guitarrista e também compõe. Ah, ele fala inglês fluente e deve dar aulas ano que vem. É skatista também, e muito bom em games!
Se eu estiver esquecendo alguma coisa me perdoem, sério. Lembro que eram "9 coisas" que, logo, faziam com que o Lucas fosse 9 vezes mais que um Lucas qualquer, 9 vezes melhor que um cara comum.
É tão louco como nós, adultos, tendemos a nos reduzir ao nada, tanto que nem mesmo meu namorado conseguiu lembrar ao certo quais eram as tais "9 coisas" que ele próprio é, segundo o olhar atento e curioso do meu irmão.
Esvaziamos de sentido e de valor o que fazemos e o que somos. Reduzimos ao nada, ao comum, ao "pouco importante".
Projetamos muitos nomes para nós, mas sempre, veja que irônico, com o "futuro" vindo antes: "futura psicóloga", "futuro cineasta". Abandonamos o que somos hoje e os nomes que carregamos agora, nesse momento.
Para meu irmão eu sou estudante de psicologia e falo inglês, espanhol e italiano, além do bom e velho português, claro. Sou bailarina de flamenco e atriz. Ah, se faço poemas, sou poeta. É mágico, me sinto a Nathalie Portman ou coisa assim!
Convenhamos, se de fato fazemos tudo isso, por que não dar os nomes aos bois? Por que é tão difícil nos apropriarmos do que fazemos, mesmo que seja pouco ou pareça bobo?
Somos e vamos ser sempre um projeto futuro de algo muito melhor do que o presente, fato. E quero ser, um dia, muito boa no que escolhi fazer, em pelo menos uma dessas coisas todas aí... Mas bem ou mal, boa ou não, eu sou, você é, nós somos isso aqui agora! São essas "coisas todas" que criança vê e adulto não que nos diferenciam uns dos outros, que nos tornam seres singulares e interessantes.
Não, não sou escritora, e nem leitora de livros de auto-ajuda, antes que o papo fique chato e te leve a pensar algo do tipo. Voltemos lá na simplicidade e praticidade das crianças:
Quer demonstração maior de que adulto é imbecil e complica tudo?
Ontem houve uma festa de casamento de uma prima, ocasião em que pude apresentar meu namorado, o referido Lucas, aos meus pais e aos meus familiares. Na mesa com meus pais e meu irmão, dividíamos uma porção de petiscos: batata, mandioquinha, torresmo... Minha mãe fisgou a última linguicinha do prato e a levou em direção ao Lucas, enquanto meu irmão também salivava por ela! rsrs
Foi quando eu disse ao garoto: "Viiiixi, perdeu seu lugar na família, né?!" (Eu aprendi que genro é tratado como filho, mas um filho que não é irmão da filha que é namorada... deu pra entender isso?)
Ok, voltemos ao diálogo: "Viiiixi, perdeu seu lugar na família, né?!"
"É, perdi minha linguiça!"
Fica aqui a minha cara de imbecil. Ah, e a certeza de que quando crescemos complicamos tudo, damos significados demais a coisa de menos. Uma linguiça às vezes é só uma linguiça como um cachimbo às vezes é só um cachimbo, já dizia o tio Freud.
sábado, 8 de junho de 2013
O que você faz quando quebra juramentos que fez a si mesmo? Quando irrompem no seu íntimo aqueles pensamentos dos quais você prometeu se desvencilhar? Quando se vê envolta por questões que julgava já estarem resolvidas e não se sente mais no direito de sentir, pensar e muito menos falar sobre elas? Quando não se reconhece mais ali, e nem aqui? Quando nada te significa mais e melhor do que a falta de sentido até mesmo na sua recorrente falta de sentido...? E aí, o que você faz?
Do gozo auto-erótico, que não abria espaço para o outro, me vejo deixando o outro chegar perto, entrar e quem sabe ficar de vez. Sacio minha fome de amor, como, engulo-o com avidez, incorporo o amor e o corpo... o corpo fica blur.
Mas algo de mim ainda resiste, quer expulsar o excesso e deixar vazio de novo, fechar a fenda que se abriu, tamponar a falta do outro e do amor, se satisfazer por si só, voltar a funcionar como era antes. Mas falha. Falha descaradamente, não funciona direito mais e me deixa prostrada na frustração e desespero. Não sei mais como agir, não conheço mais a engrenagem desse meu maquinário psíquico, que por sorte (ou não), tem mudado radicalmente, um tanto a cada dia. Sei que é assim que eu me perco e me encontro mesmo perdida, pois sei que me perder agora é importante para sair de onde estou há tanto tempo.
Sei também que, se não fosse por esse outro, essa fenda se espalharia pelo meu corpo. É por esse outro que deixo o meu corpo íntegro, mantenho-me por inteira. Sem ele já estaria despedaçada.
Mas me interessa mais o que eu ainda não sei.
domingo, 2 de junho de 2013
domingo, 14 de abril de 2013
A palavra é mesmo um buraco no espaço onde jogamos as nossas ideias, né?
A comunicação é a coisa mais difícil de acontecer, apesar de todos os artifícios, inclusive tecnológicos, que criamos para ela!
Cada um escuta o que quer e fala o que não é (o ditado popular é invertido!).
Caímos sempre na incompreensão e não sabemos lidar com ela.
A incompreensão é uma ruptura entre o eu e o outro que também abre buracos, falhas, nos condena ao sentimento de vazio e solidão.
O único jeito é abrir mão, é aceitar ser incompreendido, incompreensível, até para nós mesmos.
Seguir deixando as falhas à mostra, os buracos abertos e os ditos pelos não ditos...
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Dos poemas mais verdadeiros e belos que já vi!
Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.
Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.
Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...
Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.
Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?
Estala, coração de vidro pintado!
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Eu olho pra você e às vezes sinto uma mistura doce de pena e ternura.
Pena porque você é só mais um tentando se ajustar, se adequar, se adaptar, sendo bombardeado de exigências que você nem mesmo sabe de onde elas vêm.
Mas eu vejo você, eu vejo a sua verdade.
Você é como eu, você tem muita vida pulsando aí dentro, você transpira por cada poro da sua pele a vontade de escapar disso tudo, a sua mente está em outro lugar, mesmo que você a queira aqui, a mantenha aqui, no meio desse caos de todos os dias.
É aí que eu sinto ternura, entende?
Eu vou viajar. Gostaria muito que viesse comigo, que desse um tempo pra sua vida, essa que todo mundo conhece e indiretamente controla. Você pode escolher vir comigo e apenas experimentar... Ou pode escolher ficar.
Não, isso não é apenas uma sensibilidade e inteligência afloradas, agradeço.
É mais que isso... Sinto que estou enlouquecendo de novo.. está tudo desmoronando e eu não tenho pra onde correr.
Tudo está perfeito lá fora! O dia está ensolarado, querido! Não vê que o mundo sorri para nós? Olha pra curva do universo, não é um belo sorriso? Olha as nuvens brancas como dentes, o mundo escancara seus dentes sorrindo! Mas está pesado, está caindo sobre mim, a grande boca sorridente do mundo pode me engolir.
Se você apenas viesse comigo nessa minha fuga... então seria apenas luz nos nossos olhos, sem poeira, sem lágrima salgada, sem embaraços...
Alguns fantasmas ainda sopram no meu ouvido à noite, mas eu nem tenho medo. O que me ameaça é o excesso de bem, de bem-estar, paz e tranquilidade. Eu sou uma bomba prestes a explodir dentro de um templo budista. Mas me adapto, tenho me adaptado ao ponto de sentir fome.
Sinto que atravesso estágios e que o meu tempo está acabando, estou nos estágios finais, mas não consigo arrematar.
É que eu sinto raiva disso tudo, pra ser franca... EU sou inadequada ao ambiente, e não o contrário, e não o ambiente hostil para mim.
E estou casada desse vai-vem emocional.
terça-feira, 26 de março de 2013
Faz parte da vida sermos lembrados, no presente, o porquê de termos tomado certas decisões no passado.
A dúvida, quando aparece, é dádiva, não é dívida.
Logo, não preciso pagar o mesmo preço de antes, eu já paguei e me esgotei, em paciência e tolerância.
Da dúvida tiro a certeza de que, de fato, nada mudou, nada se acrescentou, diminuiu, modificou, amadureceu no discurso. Ou seja, se não tenho nada de novo para ouvir, também não tenho nada a declarar.
E olhe só, eu ainda "perco", ou "ganho", ou apenas "gasto" parte do meu tempo corrido para declarar, para tornar claro o que ainda parece obscuro: considero importante enxergar as coisas com clareza, aprender a dar explicações mais consistentes e argumentos mais embasados. Aceito a crítica ao saber, aceito o furo no saber, o ponto de impossibilidade em todo o saber, o enigmático e inacessível, que Lacan chamará de "Real". Esse é o tipo de formação que é possível se ter, a diferença está na forma como a gente se apropria do conhecimento, cuidando para não nos alienarmos a ele. (Faço aqui uma passagem pelas aulas da Nádia).
"Estou no 8º período, já tenho um bom conhecimento sobre como as pessoas funcionam..." Lembro de um grande amigo dizer isto quando eu ainda era caloura. Nesse momento atribui a ele um ar de autoridade, supus, ali, um saber que, mais tarde, entenderia como acabo de descrever. Ainda que ele seja uma figura de referência para mim, hoje sou eu quem tem esse "bom conhecimento sobre como as pessoas funcionam" e posso dar garantias de que não é uma queda muito grande e dolorosa a da idealização ao destronamento e rechaço do "mestre", que entendo também a desimplicação do sujeito histérico e culpabilização do outro (graças a leituras de Quinet).
Mas, de tudo, algumas lições que considero de maior relevância, são infelizmente levadas à revelia: Nunca ponha entre aspas aquilo que não foi dito por outrem, assuma o que você diz, o que você nomeia. Nunca nomeie ninguém, você nunca terá propriedade suficiente para isso. Apontar as falhas do outro nada mais é que uma tentativa vã de tamponar as próprias falhas e impossibilidades. O exercício da autocrítica e esforço de autoconhecimento te faz sentir menos injustiçado pelo mundo e pelas pessoas, traz ganhos para si mesmo e para o próximo. Quanto mais saber você acumula ao longo dos anos e dos estudos, mais generoso você fica com esse próximo, tantas vezes distante. E acredite na voz de quem te fala, ou de quem te cala, porque ela existe, ela sempre esteve ali.
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